libélula purpurina

A graphic experience of sexuality in a female perspective./ Uma experiência gráfica da sexualidade numa perspectiva feminina.
... a seguir... até ver, mais ou menos tudo como antes: muito sexo a sério com muito humor na forma de pequenos ensaios. Um manifesto pelo acréscimo dos níveis de oxitocina nos organismos.
… “explícito” … porque para mim o sexo é algo de belo, de essencial, de puro, como uma flor de estigma e estames de fora. E nem há mais nem menos “explícito”… é tão “explícito” quanto possa ser, passando por todos os estados físicos e emocionais possíveis, desde que positivos… assim eu seja capaz… amor, paixão, ternura, entrega animal ou sobre-humana… mas sobretudo… que sejam estados de “prazer”... Tudo!! Tudo quanto seja o prazer de dois seres inteiros, corpo e mente, ou se quisermos, espírito… sendo que um corpo, um agregado temporário de átomos na forma humana, é um “todo” em que se não pode separar a “parte material”da “parte imaterial”… se é que isto existe… Quando este agregado temporário de átomos se desfaz, o “ser” desaparece, extingue-se, desagrega-se, funde-se novamente nesta coisa mágica e imensa que é o Universo. Sexo “explícito”, pois. Sim, há. O que não há nos meus desenhos é “perversidade”. É uma espécie de regresso a um estado do “antes do pecado”. E por isso não há frinchas ou cobertores que tapem “aquilo que se não deve ver”, de onde, justamente, seja “explícito”. E o que não há também são “corpos objecto” adornados para servir ao prazer de “outro”. Isso também não há. São apenas “corpos”, são apenas “seres”… a tentar, e talvez, por vezes, a conseguir unir-se… deixarem de “ser cada um”, para, ao limite do êxtase, “serem juntos”. A entrega é de ambos. Sempre. O prazer é de ambos. Ainda que em determinado momento um possa apenas dar e outro apenas receber, ainda assim, a entrega terá que ser de ambos… e tem que ser completa. Porque o prazer, essa força que no fundo é a chama que nos mantém vivos, e que na sexualidade vem à tona na sua forma mais intensa, é algo de tão complexo que para ser inteiro tem que por força envolver a pessoa inteira. Só assim o posso conceber.

Monday, October 8, 2012

A metamorfose

Acaba daqui… e começa dacolá... A metamorfose é assim.
 
 
 

A todos os que estiveram por cá comigo: obrigada! Foi uma experiência incrível!
 
… e a quem quiser saltar daqui para uma nova aventura dacolá, agora em torno da sabedoria do amor, ilustrada por certo (é apenas uma questão de tempo)… serão todos muito bem-vindos!

... ah! E talvez continue a publicar aqui a minha (já existente) imensa colecção de desenhos eróticos... Porque não?
 

Wednesday, October 3, 2012

Não é novidade: o amor existe e aprende-se a fazer-se acontecer


Amor aos primeiros minutos. Logo. Como o amor dum cão. Um cão vai logo ao primeiro que lhe faça uma festa. Vai logo atrás. E logo a seguir, aquele é “o dono” e pronto. Para sempre. Pelo cão será para sempre. Que capacidade de amar! Incrível! Ama logo à primeira. Eu também. Eu também amo logo à primeira (se quiser). Fui assim desde sempre, amo logo à primeira. E sempre amei muito. Tive um excelente mestre: a minha mãe. Especialista em amar. Aprendeu a amar em criança não sendo amada. Uma experiência terrível na origem de uma capacidade incrível de amar com qualidade. A minha mãe sabe mesmo amar. E a mim amou-me sempre muito. Só ela me amou a sério, mas sempre muito e muito bem, sempre o melhor. Ela aprendeu a amar não sendo amada, e eu prossegui com a sua experiência, aprendendo a amar sendo amada. Desde o começo sempre eu me dispus ao amor com toda a gente: pelo gosto que me é espontâneo de amar. E sofri… xi!! Como sofri entregue a este mar de egoísmo cego que por aí afora grassa…

 
… sucede que “por sorte”…


O amor é tudo. É só o que importa. Jesus disse-o. Ninguém entendeu nada. Os Beatles insistiram (All you need is love). Ninguém entendeu nada. E eu, entendi agora (só agora), aos quarenta anos, porque fui catapultada por razões desconhecidas para um nível de entendimento diferente, de onde se avista de muito mais alto, mais longe e mais claro. Alcancei a metamorfose. Outra. Não fosse assim, também eu não entenderia nada apesar de tão simples.
 

Sucede que eu sempre pratiquei o amor muito e o melhor que podia. Não o compreendia, mas sempre o pratiquei muito e o melhor que podia. O amor é tudo. A razão de existirmos. O que nos une ao Universo e à sabedoria reunida por todos. Existimos para amar. E é assim e só assim que aprendemos e evoluímos enquanto pessoas (seres) e isso é a única coisa que conta, que importa. E também é só assim que se cria algo de realmente bem feito, belo, intenso, perfeito: arte. Com amor. Grande, intenso, profundo. Só assim. Por amor a alguém ou a algo (um animal, uma planta, uma paisagem…) A amar para fora. Dando atenção, tempo, conhecendo o outro, a sua essência, o que ele é, a sua verdadeira natureza, conhecendo-o e compreendendo-o a fundo, sendo capaz de pensar com ele, pensar como ele através de uma experiência de vida diferente… (Aprende-se muito a fazer isto.) E depois, depois de o conhecer e tentar compreender (porque compreender a sério - ser capaz de pensar como o outro - é muito trabalhoso e demorado), determinar as suas necessidades e tentar ajudá-lo a obter aquilo de que ele precisa, ou mesmo fornecer-lhe aquilo de que ele precisa, uma palavra (às vezes uma só - só uma - faz a diferença), ou seja, agir no sentido da sua máxima felicidade. Amar é isto.


Aconchegar o outro quando ele tem frio, jardinar para ele as flores de que mais gosta, cozinhar para ele saudável, saboroso, bonito, abraçá-lo se está triste, tranquilizá-lo se está nervoso, pensar nele, estar disponível, escrever-lhe, apreciá-lo, dar-lhe o ombro para chorar, partilhar com ele experiências, estar atento aos seus movimentos, aos seus pensamentos, aos seus sentimentos, aos seus sonhos, às suas palavras, às suas necessidades, conhecê-lo, compreendê-lo, respeitá-lo, perceber os seus gostos, ajudá-lo a solucionar os seus problemas, observar as suas coisas com atenção, com olhos de ver a estética e a ética, conversar com ele, comunicar com ele, rir com ele, dar-lhe prazer… proporcionar-lhe uma experiência o mais positiva possível. Isto é que é amar (para fora). Ir além do egoísmo e do puro instinto animal, do “só eu, só meu”. É assim que o amor “acontece”. É assim a inteligência: ser-se capaz de, sem esforço, ir além do puro instinto animal, egoísta, possessivo, materialista, territorial. Ter a força e a vontade e a persistência necessária para abrir a porta a um novo significado para a existência. A sua razão maior: evoluir para a felicidade.


Aprender a fazer acontecer o verdadeiro amor é algo de extraordinário.


Quando se faz isto, se intenta neste objectivo com este propósito, mesmo que seja só por cinco minutos, o amor acontece. Plint! Acontece! Em diferentes intensidades, mas acontece. Estava distraído o jovem da caixa de supermercado. Completamente ausente. Enquanto ensacava, aproveitando um momento mais favorável, fitei-o e disse-lhe com doçura: “Que grandes pestanas as suas, hein?” (foi sincero) Ele sorriu. Eu sorri. E os nossos olhos brilharam. Pronto. Aconteceu o amor (cinco segundos, mas aconteceu). Os olhos do outro brilham, os nossos também, é o amor que acontece. De parte a parte há um acréscimo de energia positiva. Em intensidades diferentes. Às vezes é muito forte, outras vezes menos. E daqui, se se quiser, se de parte a parte houver vontade, o resto se constrói com tempo e dedicação. Cada qual que decida a quem entregar a maior parte do seu escasso tempo de existência material…


Por amor fiz eu por tornar as minhas palavras mais claras e simples a respeito do mais profundo do meu ser, do mais essencial da minha experiência. E ao fazê-lo assim, por amor, de forma insistente e persistente e o melhor que podia, intentando sempre na perfeição, tentando sempre o mais essencial pelo menor número de palavras, acabei a fazê-lo melhor que nunca. Aprendi a conhecer-me a mim própria e aos outros melhor que nunca e assim, suponho, me foi dada esta graça de ver aquilo que antes, ainda que defronte aos meus olhos, nunca pude ver. Foi assim: em resultado de um insistente exercício de amor ao meu semelhante.



A partir daqui já só me apetece amar de perto qualidade humana.


Só (cozinho com amor para, faço as coisas o melhor que posso para, jardino ao gosto de, dedico palavras doces, mimo, penso na pessoa, penso em ajudá-la, em ser-lhe agradável, em compreendê-la, ouvi-la, nas suas necessidades, na sua saúde, em dar-lhe prazer sexual se for o caso, em dar-lhe o tempo de que necessite, fazê-la rir, apreciar o seu amor, ensinar-lhe coisas importantes para ela, partilhar com ela as melhores experiências, fazê-la sentir que para ela existe “todo o tempo do mundo” sempre, etc., etc., etc.) amo qualidade humana. Homo sapiens sapiens que tenham alcançado a proeza de sair do seu casulo de egoísmo. Que tenham ultrapassado a sua fase larvar. Que sejam capazes de ver (qualquer coisa, ao menos). De amar para fora. Quanto mais qualidade humana, mais intensamente (com mais tempo e dedicação) amarei. A partir daqui é critério único.


Só qualidade humana porque estes (atentos, de bom carácter, virados para fora, inteligentes, dedicados, simples, sinceros, generosos, sábios, entendidos em amor,…) também gostam de amar e sabem amar. Há pessoas a quem é um gosto amar. Gosto dessas. São estas a melhor e mais valiosa experiência de todas. Já fui muito mal amada. Muitas vezes. Quase todas. Sei o que é. Justamente, agora aprecio muito ser bem amada. Se não tiver qualidade humana recuso. Em mim o amor é espontâneo. Gosto de amar. Estou sempre pronta a ajudar, a compreender, a tentar agir no sentido do bem estar do outro (mesmo que o não conheça). Em mim é espontâneo. Comigo o amor acontece (com sexo ou sem sexo). E amando aprendo muito. Amar e ser amada faz-me muito feliz. É de tudo o que mais felicidade me dá. E agora, que sou capaz de reconhecer outros “malucos” como eu, a verdadeira qualidade humana, a maior parte do sofrimento está, desde já, ultrapassada. É fantástico!


Este “salto” na capacidade de ver a luz por entre as trevas foi uma dádiva divina. Dos restantes, dos “larvares”… amarei de perto um ou outro que me pareça mais promissor na aprendizagem de amar (para fora)… O que valer a pena (só). O tempo é escasso. Não se deve desperdiçar.


Disse-me alguém um dia: “o que conta é a obra (material)”. Mas discordo. O que conta é a experiência. A obra fica (ou não, ou desmorona-se), a experiência prossegue.


A experiência prossegue além da obra (material), e até, além desta existência corpórea. Quem não ama a sério (como deve ser), não aprende nada de nada que valha a pena. Não aproveita nada de relevante desta experiência de existir nesta forma. Zombies. Quase todos. Zombies cegos com a mania de que são espertos em incessante luta entre si por conta de “tralhas”. É assim que começam e é assim que na maioria dos casos acabam, infelizes e ignorantes e traídos e abandonados e atirados ao lixo pelos outros “larvares”, ao cabo de, por vezes, quase um século de existência inútil (ou por assim dizer inútil). Exércitos de mal amados e de infelizes dedicados à propagação da ignorância, do sofrimento, da imundície e da destruição da beleza. Que tragédia!


Sexo… para mim tanto faz sexo como sopa. Não gosto que me sirvam “uma merda qualquer”. Gosto de qualidade (em tudo). De amor. E qualidade é amor (de qualidade).


… de resto, para quem seja capaz de alcançar daqui, “parar de amar” quem não o mereça é só ir amar para outro lado que assim se estanca o sofrimento. Depois de começar, o amor já não acaba, mas o sofrimento sim, esse é desnecessário. Por mim, acho que atingi a quota. A partir daqui, de sofrimento é só o mínimo. Farei por isso. E amar muito, muito tempo com muita dedicação, só quem valer muito a pena. Só quem tenha muita qualidade. E de resto… a todos.


O amor é assim: horas e horas e horas de sofrimento, anos e anos de esforço, de absoluta entrega, de meditação profunda, de dedicação extrema, de persistência neurótica, para desenhar esta meia dúzia de palavras de amor ao meu semelhante. Nunca desistir de amar.


A única obra que importa é a da qualidade humana. É esta a experiência que prossegue.


E eis a metamorfose, o princípio de umas novas asas, de uma nova capacidade de voar, o começo de uma nova etapa. A experiência prossegue. Ainda não sei que nome darei à nova Libélula. Talvez Salomé.




 

Thursday, August 23, 2012

Wednesday, July 11, 2012

Tuesday, July 3, 2012

Sunday, July 1, 2012

Saturday, June 30, 2012

Monday, June 18, 2012

Purpurina


Sunday, May 20, 2012

Purpurina


Wednesday, May 16, 2012

“Oris foderus” ou "Técnica de foder bocas"

Na espécie humana o sexo permite muitas possibilidades de arranjos... um ser activo, outro passivo, vice-versa, ambos activos ao mesmo tempo... e todas as variantes pelo meio... No que respeita ao movimento dos corpos, o mesmo. Por exemplo, se o corpo do macho está parado e o da fêmea se movimenta servindo-se da boca, chupando, lambendo, massajando, diz-se que se trata de uma "mamada", “broche”, ou, usando do termo mais erudito, “fellatio”. Se é o macho que se movimenta enfiando a picha (do latim, phallus) na boca da fêmea, estando ela parada, então está a "foder-lhe a boca" (por azar, tanto os gregos como os romanos esqueceram-se de dar nome a isto. No século XXI, todavia, trataremos de suprimir estas lacunas, que a gente sabe que o Verbo, e também o substantivo, têm muita força). Dentro do género há muitas modalidades possíveis, entre as quais uma modalidade lenta em que ambos os corpos estão em posição de conforto (deitados de lado dá muito jeito), o macho limita-se a um movimento pendular umas vezes mais suave, outras menos, e a fêmea segura a picha (o phallus) para aquilo não sair dos carris (e se puder um pouco mais), e pode usar a mãozinha livre para massajar o clitóris (e se a coisa correr bem, vir-se de vez quando que é muito agradável para ambos). A parte mais difícil (e que requer um pouco de treino e de técnica) prende-se com o facto de, para que a fêmea mantenha a picha (o phallus) dentro da boca por período indefinido, ser necessária uma aprendizagem de controlo da respiração e da acumulação da saliva de modo a que coisa funcione na perfeição. A questão é também a de que o arranjo chegue ao ponto em que a parte física seja suficientemente simplificada e "natural" para que as mentes de ambos estejam completamente livres para sentir prazer (o qual tende a torna-se, como o riso, contagioso). Os movimentos mecânicos complexos ou incómodos, ou suster a respiração ou outras coisas que obriguem a "pensar" ou a “esforços”, são limitantes da plena fruição do prazer... de onde, igualmente, sejam muito agradáveis os momentos (dos quais, ao que parece, a espécie tira pouco partido) em que um se dedica exclusivamente ao prazer do outro (que se limita a respirar e a sentir e mais nada... o que, a ser bem feito, já ocupa muito “espaço”...)

... não quero com isto dizer que por vezes posições mais esquisitas e movimentos mais artificiais, que exijam muito “espaço em disco”, não possam, justamente por via disso, ser excitantes... são também questões de preferência... mas julgo que é saudável fazer-se uma manutenção justa da variedade...

Os exemplares da espécie humana possuem um crânio equipado de um cérebro de grande volume e ainda de muito maior superfície, pelo que tudo leva a crer que as especificidades da espécie exijam na prática sexual o uso desta mesma cabeça além daquela outra situada a meia haste, mesmo que a tal sirva de suporte ao estandarte… não fosse assim, e também as vacas teriam ponto G e clitóris… (digo eu… nem posso assegurar que o não tenham, entendo pouco de vacas, mas suponho que não…)

(... e supunha muito mal, que as vacas têm clitóris, sim senhor, bem como, ao que dizem, os mamíferos todos... ponto G é que não sei... mas já não digo nada... Apesar do meu anterior raciocínio obtuso (tipicamente Homo sapiens sapiens), mais uma razão no caso para que a malta tenha um conhecimento básico a respeito destas características comuns à nossa classe Mammalia).

Saturday, May 12, 2012

Não vá o diabo tecê-las, que de tão perto se faça longe…

À semelhança de tudo mais, a forma de cada um fazer sexo, reflecte a forma de ser de cada um, as suas características, que são também as que definem a sua atitude perante a vida, de onde, uma determinada atitude perante a vida, reflicta igualmente uma atitude perante o sexo. Se a pessoa for generosa, será generosa no sexo, se for egoísta, será egoísta no sexo, se for criativa, será criativa no sexo (se não for, não será), se for inteligente, será inteligente no sexo, se não for inteligente, não será inteligente no sexo, se for calculista, será calculista no sexo, se for paciente, será paciente no sexo, se for persistente, será persistente no sexo, se for violenta, será violenta no sexo, se for rude, será rude no sexo, se for delicada, será delicada no sexo, se for materialista, será materialista no sexo, se for honesta, será honesta no sexo, se for sincera, será sincera no sexo, se for mentirosa, será mentirosa no sexo, se for humilde, será humilde no sexo, se for arrogante, será arrogante no sexo, etc., etc., etc…. Se tiver sentido estético e ético, também no sexo o terá… não cai do céu aos trambolhões, nem se evapora… Aquilo que cada um seja (ou não seja), no sexo também o será (ou não será).

Bem sei que isto é um lugar-comum… mas não vá alguém andar distraído…


Wednesday, May 9, 2012

“Gajas boas na cama”

Não consigo entender. A sério. Alguém me explica o que é que isto quer dizer?

Friday, May 4, 2012

Purpurina


Monday, April 23, 2012

Lógica do ilógico

Por uma razão qualquer que desconheço nunca encontrei nenhum homem capaz de compreender o que sou e como funciono, não porque não seja evidente, mas justamente por ser.

Saturday, April 21, 2012

Purpurina


Thursday, April 19, 2012

Amor, paixão e sexo: teoria e convicção

O amor é um sentimento de um altruísmo e generosidade inacabáveis. O amor tende a ser definitivo. O amor transcende-nos. Transcende a razão. O amor anula o egoísmo, o orgulho, a posse, a guerra… O amor vai além da distância. O amor vai além de tudo. Depois do amor, não há nada. Mas o amor é … raro. Além da ordem natural dos laços estabelecidos pelo sangue (entre pais, filhos, irmãos…) e da verdadeira amizade, suponho que sejam poucas as pessoas que realmente o experimentam. Acredito que possa também haver um “estado de amor” que não dependa de ninguém ou de nada específico… há-de ser isto qualquer coisa semelhante à “iluminação”. O amor é um sentimento muito elevado que depende por isso também da capacidade emocional para amar. Entre um homem e uma mulher, quando acontece, o amor é “o princípio”… é onde a vida começa… e é também, muitas vezes, onde ela acaba. Casos destes são aqueles extraordinários em que do princípio ao fim dois seres atravessam a vida intensamente apaixonados, sobrevivem ao desgaste do tempo e dos corpos, e ao cabo de décadas, até que a morte os separe, ainda os olhos do outro lhes fazem brilhar os olhos. É também o que sucede em casos daqueles em que toda uma vida não chega para fazer desaparecer a dor pela ausência da pessoa amada… sendo tão escassa a probabilidade de salvação como o milagre de um outro amor. Em ambos os casos, não há um minuto sequer nestas vidas em que não desejem “o outro” ao lado, e a quem, independentemente disso, possam não desejar “o bem”, seja isto uma benção ou uma maldição.

Semelhante ao amor nalguns sintomas, a paixão é algo de muito mais “terreno”, de muito mais sujeito aos caprichos da natureza humana. A paixão exige a presença física, a “posse”, e evolui para estados de ira quando não satisfeita. Quase todas as pessoas se apaixonam, geralmente mais do que uma vez ao longo da vida... A paixão é temporária. Dificilmente irá além de um ano ou dois… Seja como for, mais tarde ou mais cedo, acaba. Pode resultar em profunda amizade, uma forma suave de amor… ou então, resultar em coisa nenhuma. É um estado passageiro de euforia em que a natureza suprime os defeitos do outro, intensifica o desejo, e promove a harmonia de modo a permitir um período de adaptação de um casal entre si. Para quem o aproveita bem, resulta bem. Para quem não o aproveita bem, resulta mal. Aqui se incluem todos os casos de casais que começam com “um grande amor” e acabam sem se reconhecer, à porrada, ou a digladiar-se pelas razões mais absurdas.

Sexo, é outra coisa. Havendo amor, o sexo é sempre algo de “sublime”, mesmo que seja, do ponto de vista sexual, uma lástima. O amor em si não produz “bom sexo”, mas, havendo união física com a pessoa amada, produzem-se outras coisas: a imensa felicidade, ou mais, a plenitude! E claro… “bom sexo com amor” é… o verdadeiro “êxtase”: o auge do prazer físico e psíquico. A paixão em si também não faz milagres pela qualidade do sexo… mas lá está… faz do sexo sempre uma experiência positiva, ainda que na prática o desempenho sexual possa não passar da pobreza franciscana. O pior é que, findo o período de paixão, para quem não tiver desenvolvido uma boa relação sexual, o desejo acaba. Como é evidente, no que respeita ao prazer, a seguir ao “bom sexo com amor”, o “bom sexo com paixão” é do melhor que há. Depois… não sei: “mau sexo com amor” ou “bom sexo com paixão”? “Mau sexo com amor”, “Mau sexo com paixão”, ou “bom sexo sem amor nem paixão”? É difícil de decidir … se calhar é relativo, tem dias, depende dos gostos … A questão aqui é o que seja um bom equilíbrio entre estados de prazer emocional e estados de prazer físico. Para mim o conceito de “bom sexo” inclui já um mínimo de prazer emocional ou, pelo menos, o conforto emocional (bem-estar, confiança, respeito,...) a partir daqui… como diz Epicteto, o estóico, “há coisas que dependem de nós, e outras que de nós não dependem”…

… mas tenho ao menos por certo que um “bom sexo” é um bom argumento para o despertar do amor e da paixão (mal, não faz)… além de ser em si só uma coisa muito agradável… (e de fazer bem à pele e tal…)